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Eu sei, eu sei. Tenho andado super sumida. Mas são bons motivos. Queria contar a vocês que acabei de lançar o meu site: o Finanças Femininas. É o primeiro site de finanças para mulheres do Brasil, com um conteúdo super bacana, bem segmentado e direcionado para os diferentes momentos de vida da mulher.

Espero encontrá-los por lá!

Perguntas que você não quer saber a resposta

Torcer para algo dar certo é normal, mas quantas vezes evitamos ouvir críticas ou entrar em conflito, para não ter de lidar com aspectos menos positivos de um projeto, um trabalho, uma escolha? Foi por isso que amei essa palestra do TED de Margaret Heffernan, em que ela mostra a importância de sempre nos colocarmos à prova: é a única maneira de realmente podermos evoluir. Fácil falar. Mas de fato estar aberto para mudar a sua cabeça, contestar a autoridade e fazer perguntas que ninguém quer ouvir e se fazer as perguntas que você não quer saber a resposta é fundamental para você poder de fato começar a pensar de forma criativa e responsável. Uma palestra imperdível!

A busca da perfeição e o melhor sushi do mundo

Depois de muita expectativa, eu finalmente assisti neste fim de semana ao documentário Jiro Dreams of Sushi. Para todo mundo que gosta de sushi, o filme é obrigatório: desperta um mundo de vontade de ir até o Japão só para experimentar o sushi do Jiro, o primeiro chef de sushi do mundo a ganhar três estrelas Michelin. Toda a técnica, o virtuosismo, os peixes e o arroz, está tudo lá.

Mas o filme vai muito além. Ele fala do desejo constante de querer melhorar e da busca pela perfeição, que passa pela extrema simplicidade – o que pode haver de mais simples do que arroz e peixe? Mas Jiro, que tem 85 anos e trabalha com isso há 75 é incansável – ele não pára, não se dá desculpas, nada, sempre em busca de fazer o melhor sushi que puder.

Como isso? Com paixão e dedicação. E aí vem uma lição maravilhosa do filme: você escolhe o que você quer fazer da vida e se dedique a isso de corpo e alma. Literalmente. Pois Jiro tem ideias de sushi em seus sonhos.

O problema – como sempre – vem da expectativa. Você vê na história do filme os dois filhos do chef, que foram trabalhar com ele. O mais novo, que saiu depois de muitos anos para abrir seu próprio restaurante, e o mais velho, que continua trabalhando com o pai, preparando-se para sucedê-lo. Mas como suceder um mito, uma vaca sagrada? Após ver o filme, ficamos nos questionando se ele de fato quer aquilo para a vida dele, ou se é uma obrigação que ele tem que cumprir. Sabemos que ele é bom – mas é só isso que basta? Sem paixão, como pode haver genialidade?

Depois do filme, fui ver o guia do Japão do Jun Sakamoto – e lá ele conta que comeu o melhor sushi da vida dele na restaurante do Jiro. De água na boca já depois de ver o filme, fiquei com vontade de marcar uma passagem agora pro Japão para poder experimentar o sushi – do Jiro.

Como surgem as boas histórias

Como tudo pode servir de inspiração? Nesta palestra do TED, Tracy Chevalier conta uma nova forma que ela inventou de olhar os quadros e obras de arte que ela ama. Nós sabemos do que gostamos, mas acho tão raro conseguir entender isso exatamente, de onde vem uma paixão por tal ou tal quadro… Ela conseguiu isso contando histórias – ela cria histórias sobre o quadro, o personagem retratado. Um pouco de imaginação, uma observação cuidadosa de todos os detalhes e logo você tem a história em mãos.

Ela no caso, foi longe: é a autora do romance “A Moça com Brinco de Pérola, que depois virou o filme que eu adoro. Vale a pena assistir a palestra dela e ver como as boas histórias (e a inspiração) podem vir de qualquer lugar.

Da realização dos sonhos e a felicidade

Eu contei aqui que estava começando a ler Anna Karenina e como estou apaixonada/viciada no livro. Não consigo deixá-lo de lado, é um desses livros que trata de todos os aspectos da vida, que você se vê um pouco em cada um dos personagens, em cada uma das suas características – nas suas relações com o amor, com a vida, com a vida com os outros, com a felicidade. É um caso de amor mesmo. Mas ontem tive uma revelação na minha leitura.

Ao falar de um personagem (não quero estragar nada aqui para ninguém!), ele diz sobre o “eterno engano cometido pelas pessoas que imaginam alcançar a felicidade por meio da realização dos desejos“. Foi como um soco no estômago – afinal, quem nunca se colocou nessa situação? De adiar a felicidade, para quando eu for casada, ou quando conseguir aquele emprego, ou quando tiver filhos? Ela está sempre ali, perto, mas inalcançável – até porque quando chegamos lá, aquilo dura pouco, e então a felicidade vai logo para o próximo sonho, o próximo desejo: quando eu for promovida, quando meus filhos me deixarem dormir uma noite inteira, quando eu virar chefe, e assim por diante.

O problema é que a realização dos nossos desejos não é uma chave mágica para resolver nossa vida – todas as outras frustrações continuam lá, os medos, os problemas. E depositar todas as suas esperanças em uma solução mágica (e fácil) não costuma funcionar tão fácil assim. Fora que não existe nenhuma situação perfeita: toda promoção costuma vir acompanhada de mais desafios e responsabilidades, mais noites sem dormir e mais medos, novas frustrações.

Então pare de deixar a felicidade sempre para depois, porque não é assim que funciona. Felicidade é algo perene, que não depende de uma grande novidade para acontecer. As alegrias sim, vêm rápido, são efêmeras, e muitas, se você tiver sorte – tanto que podemos contá-las no plural. Agora a felicidade é uma só, e depende mais de você saber encontrá-la na sua vida do que dos outros. É saber deixar a expectativa de lado e aproveitar o que se tem. Porque felicidade é no presente, e não no futuro.

Felicidade Aristóteles