Eu odeio meu iPad

A Apple vai anunciar o iPad novo na semana que vem e eu já amo o meu iPad um pouquinho menos. Eu não sei como vai ser o iPad 3 – ninguém sabe. Mas isso não diminui a minha sensação de que ele já não é tão legal como era na semana passada. Eu achava incrível o meu iPad 2: todo branco, meio aerodinâmico, rápido e com boa memória. Até câmera ele tem (e eu uso!). Mas só de saber que vai ter um mais legal na semana que vem deixa o meu parecendo uma coisa meio sem graça.

Eu sei, é consumismo puro, e é exatamente assim que eu deveria estar me sentindo. A Apple lança versões novas dos seus produtos de tanto em tanto tempo justamente para estimular esse nosso desejo por coisas novas e brilhantes. Mas ainda assim, a estratégia funciona direitinho: nem sei o que tem no iPad 3 e já quero um. Na semana passada, alguns amigos publicaram no Facebook uma matéria sobre a hora certa de vender o seu iPad 2 antes do lançamento do novo. Então talvez eu não seja a única a me sentir desta forma. Eu sei que estou sendo manipulada, mas mesmo assim, eu caio nessa toda vez.

Eu tinha mais desculpas para comprar um iPad 2: eu queria ter um com 3G. Eu comprei meu primeiro iPad logo que saiu, quando estava morando em Singapura, e ainda não tinha a opção com 3G. Quando saiu a segunda versão, eu podia me justificar facilmente, eu precisava de um tablet que pudesse navegar na internet não só onde houvesse Wi-Fi. Mas e agora? Será que o novo será só mais bonito? Com uma tela maior? Mais duração de bateria? Ou semana que vem teremos algo que agora nem os fórums com rumores dão conta de imaginar? Vamos ter que esperar.

Sei que, enquanto isso, queria poder jurar fidelidade eterna ao meu lindo e atual iPad 2, mas a cada minuto que passa ele me parece cada vez menos e menos incrível.

 

Sorveteria caseira

Meu marido tirou o dente do siso no final da semana passada e, de acordo com a sabedoria popular, fui ao supermercado encher o freezer de sorvetes, que ajudam na cicatrização. Como não sou boba, fui nos sabores que ele gosta, mas quis fugir um pouco da hegemonia da Häagen Dazs – é uma delícia, todo mundo sabe, mas existem outros sabores, outras marcas, outras ideias…

Não existe sorvete melhor do que o Menta Choc Chip da La Basque. Ele tem o gostinho de menta sem ficar com aquele de After Eight. Doce, mas não é enjoativo. Com pedacinhos de chocolate. Felicidade.

Descobri ainda os sorvetes da Gelée. Gente, que delícia. Eles são artesanais, maravilhosos. Comprei de coco (incrível, gosto super equilibrado, dá de mil no de coco da Häagen Dazs), de gengibre (maravilhoso, com pedacinhos de gengibre cristalizados, tudo de bom) e de frutas vermelhas. Mas foi difícil de escolher no meio da profusão de sabores: goiabada cascão, coco com tapioca, lichia…. Ainda entrei no site e descobri que a patisserie faz por encomenda:  caramelo com flor de sal, chocolate com damasco, marron glacê, marzian…. Nossa, de morrer, fiquei com desejo de provar tudo!

Não dava para fugir do Doce de Leite da Häagen Dazs. Delícia pura. (Eu pessoalmente sou MUITO mais o de chocolate belga, mas ele insistiu e preferiu o doce de leite. Fazer o que, né?)

Expectativa

Meu grande exercício nos últimos tempos… Por que é tão difícil? O sonho vira desejo e o desejo vira ambição e a ambição vira expectativa, que estraga tudo. De repente, não estamos mais fazendo por nós, e sim pela expectativa do que aquilo deve trazer de retorno. Então se tenho uma reunião, logo vejo todos os possíveis resultados (favoráveis) e começo a sonhar com o meu preferido, a ponto de se tornar um direito adquirido, que o tempo e o esforço com certeza hão de trazer.

O segredo, como venho aprendendo, é perceber o momento em que a expectativa começa a se instalar. O desejo de que algo aconteça é normal, saudável e totalmente válido, mas o problema é quando começamos a esperar este retorno imaginário como algo que deve, de fato, acontecer. Aí é que mora o perigo. Reconhecer a expectativa é o primeiro passo para deixá-la de lado.

Estou abraçando todo este lado zen mesmo (e a yoga ajuda, e muito!!!), pois é sem expectativa que conseguimos realizar (o que quer que seja – projetos, trabalho, livros) e nos relacionar no presente, sem esperar o que o futuro poderá nos trazer de recompensa.

24 sinais de que você cresceu nos anos 90

Vi um post no PR Daily sobre alguns sinais de que você cresceu nos anos 1990. Achei bacana, e resolvi adaptar para os lados de cá. Aí vão alguns, tem algo mais que eu estou esquecendo?

1. Como salvar arquivos em disquetes

2. Internet discada

3. icq

4. Gravar clipes da MTV em uma fita VHS

5. Passar a tarde montando mixtapes

6. Ter um pager (ou morrer de inveja das amigas que tinham)

7. Walkman (e depois o Discman)

8. Tênis Adidas Hemp

9. Andar com fichas de orelhão e saber como fazer uma chamada a cobrar

10. Bubbaloo Banana

11. Morrer de medo de buracos em balas e chicletes para ver se não havia drogas ali

12. Tamagotchi

13. Macarena

14. Esperar dois dias para as fotos ficarem prontas na Fotoptica (por que dizia “Revelação em 1 hora” se sempre era mais?)

15. Slurpee no 7 Eleven

16. Esperar para ligar para os amigos depois do jantar

17. Jogar Super Mario

18. Revistinhas da Turma da Mônica

19. The Waves

20. Perder o sono quando chegou TV a cabo em casa

21. Festa bailinho

22. Barrados no Baile

23. Bichinhos da Parmalat

24. Anos incríveis

Filmes de homens e de mulheres

O Oscar foi ontem, mas tenho pouco a comentar. Ainda não assisti “O Artista” nem “A Separação“, então não tenho muito a dizer. Queria mais era comentar de um trio de filmes que vi no fim de semana e que, cada um à sua maneira, vieram me falar um pouco sobre relacionamentos.

Começamos com “Os Homens que Não Amavam as Mulheres“. Normalmente detesto as traduções de títulos de filmes e livros no Brasil, mas acho esta perfeita e completamente cabível, pois o filme é isso aí: personagens misóginos e muita violência. É eletrizante, mas o livro é mais. Pelo que tinha lido da crítica da nova adaptação ao cinema do livro do Stieg Larsson, acreditava que o filme focava mais na relação entre Lisbeth e Blomkvist, mas no fundo, não há muita diferença do primeiro filme, feito na Suécia mesmo.

No sábado, foi a vez de assistirmos “Os Descendentes“. Para ser honesta, achei o filme meio sem pé nem cabeça. A reação toda do personagem do George Clooney é muito estranha: ao saber que a esposa, que está em coma, teve um caso com outro e ia pedir o divórcio, ele sai correndo para o outro lado do Havaí para ir tirar satisfação com o fulano, ao invés de ficar no hospital, lidando com tudo que está acontecendo, com as emoções das filhas, etc. Mas talvez esteja aí mesmo o sentido – não temos como prever as reações humanas.

Fiquei tentando me lembrar em qual dos livros da Simone de Beauvoir que a narradora, que está se divorciando, diz que preferia ter virado viúva. Não consegui. De qualquer maneira, não dá para saber o que é mais difícil, perder o ser amado para outro ou perdê-lo e ponto final. No filme, Clooney sofre as duas perdas ao mesmo tempo. Como ele deveria reagir é algo que deixa de fazer sentido. Um filme bonito, triste, uma fábula de reconstrução familiar.

Por fim, “Medianeras“. Se em “Os Homens que Não Amavam as Mulheres” é misoginia e “Os Descendentes” trata do luto, “Medianeras” traz a possibilidade de o amor surgir, mesmo nos ambientes mais inóspitos, como a grama que cresce no meio do asfalto, tal como Macabéa. Martin e Mariana são dois personagens quebrados, obsessivos, procurando algo que não sabem bem o que é na metrópole em que vivem. Procuram um ao outro. O filme é lindo, cheio de reflexões profundas sobre a modernidade, as cidades em que vivemos. Buenos Aires é como São Paulo, o filme serve direitinho para nossa cidade. Esse sim, absolutamente imperdível.

Clareza de pensamento e a Economist

A Economist publicou seu guia de estilo online nesta semana.A revista é impecável e é interessante ver que a base da revista é que ela seja compreensível. “Clarity of writing usually follows clarity of thought”. Perfeito.

Vale a pena destacar aqui a introdução do guia, que usa as seis regras elementares de George Orwell. Vale para todo mundo:

  1. Never use a Metaphor, simile or other figure of speech which you are used to seeing in print.
  2. Never use a long word where a short one will do (see Short words).
  3. If it is possible to cut out a word, always cut it out (see Unnecessary words).
  4. Never use the Passive where you can use the active.
  5. Never use a foreign phrase, a scientific word or a Jargon word if you can think of an everyday English equivalent.
  6. Break any of these rules sooner than say anything outright barbarous (see Iconoclasm).

Veja o guia completo aqui.

The Help: São Paulo, Mississipi

Tem filmes que à primeira vista, não tenho muita vontade de assistir. Talvez não tenha lido muito sobre ele, talvez não tenha achado o trailer muito especial (adoro trailers!), talvez o filme simplesmente não seja tão interessante assim. E aí vem o momento em que leio algo pessoal sobre, em que  ouço um comentário especial e vem de repente uma vontade enorme de ver o filme em questão correndo.

Foi assim com The Help. Só tive vontade de assistir mesmo quando li o post da Fafá Stumpf no Minas de Ouro. Não vou repetir aqui tudo o que ela disse , vale a pena ler.

Vi ontem à noite e o filme me botou para pensar. É um filme sobre coragem, coragem de fazer a coisa certa. A personagem de Viola Davis (sim, ela está incrível, em uma atuação tocante), Aibileen, resolve aceitar todas as propostas e pedidos de Skeeter (Emma Stone) e juntas, começam a escrever um livro sobre a situação das empregadas domésticas no Mississipi nos anos 1960. O que elas fazem juntas é um crime naquela época e naquele Estado, e ainda assim, apesar de todo o medo e toda a (re)pressão social, elas seguem em frente.

Ao assistir o filme, somos forçados a pensar em nosso mundo de hoje, e em um primeiro olhar, a sensação óbvia é de o quanto o mundo mudou em meio século. Toda a segregação racial institucionalizada nos EUA foi por água abaixo, eles têm agora Obama como presidente. Mas será que mudou mesmo?

Talvez no Brasil, não tenha mudado tanto assim. A Economist publicou em dezembro a matéria “The Servant Problem“, na qual a revista afirma que o Brasil enfrenta hoje a mesma situação que a Grã-Bretanha passou no início do século passado que “enfurece os ricos, fortalece os pobre e delicia quem gosta de um drama”: a maior dificuldade de encontrar uma empregada doméstica. A Veja SP inclusive fez uma capa do assunto no ano passado. As reações relatadas não são tão diferentes assim das que vi ontem à noite no filme.

O filme é lindo. É atual, é agridoce na medida certa, faz rir e chorar. Mas ao sair do cinema, vale lembrar: aquilo não é apenas Mississipi.

Receita de sexta: Bruschetta de Berinjela e Hortelã

Um livro de culinária que eu amo é “A Itália de Jamie“, do Jamie Oliver. É lindo, as receitas são deliciosas, o Jamie é o máximo. Adoro ele. As fotografias todas, a história da viagem dele pela Itália, o livro é realmente uma viagem. Fora que foi um presente de uma amiga mais que querida, então ele fica ainda mais gostoso. Uma das minhas receitas preferidas dali e super fácil de fazer é a Bruschetta de Berinjela e Hortelã. Para ela, você irá precisar de:

1 pão italiano

2 berinjelas firmes cortadas em fatias longitudinais de 3 mm de espessura

azeite extravirgem

vinagre de vinho branco

2 ramos de salsinha frescas, folhas aparadas e picadas finamente

1 punhado de folhas de hortelã fresca aparadas e picadas finamente

1 dente de alho descascado e fatiado bem fino

sal marinho e pimenta do reino moída

Comofaz:

Pão – Corte o pão em fatias de 1 cm de espessura. Toste-as em uma grelha ou tostadeira e depois esfregue, rapidamente, cada pedaço com um dente de alho. Borrife um bom azeite e salpique uma pitada de sal sobre elas.

Recheio – Aqueça bem uma grelha (funciona super bem também no George Foreman!!!). Coloque as fatias de berinjela lado a lado sobre ela. Quando estiverem bem tostadas, coloque-as em uma tigela. (Repita algumas vezes até conseguir o número de fatias grelhadas desejado). Enquanto as berinjelas estiverem grelhando, ponha 8 colheres de sopa de azeite e 8 colheres de sopa de vinagre, junto com a salsinha, o hortelã e o alho em uma outra tigela, e tempere com sal e pimenta. Quando as berinjelas estiverem prontas, junte-as ao molho e misture. Depois ajuste o tempero de novo e divida sobre as torradas. Pressione a cobertura para que o sabor penetre no pão. E bom apetite!!!