Sonhando acordado

Tão bom poder às vezes fechar os olhos e sair de onde se está, imaginar outro lugar, outras ideias, outros sonhos, coisas melhores, diferentes. Sem sonhar acordado não dá para começar a sonhar, a criar o novo, o que ainda não existe, o que ainda pode vir a ser. A gente precisa de devaneio, de se perder no fio da meada, de tirar alguns minutos no meio do dia, na frente do computador que seja, para imaginar o que poderia ser se… se fosse outro meu emprego, se não tivesse que trabalha aqui, se pudesse fazer o que eu quisesse, se eu pudesse ser quem eu quisse. Se eu pudesse ser eu mesma. E quem disse que não posso? É daí que as grandes ideias nascem.

Da arte de ser realista

Hoje me dei conta de que me tornei uma pessoa muito mais realista depois que fiz uma reforma. Estou fazendo, na verdade, minha obra está terminando. Mas isso é o que eu venho me dizendo há meses, então passei a ter uma outra relação com a minha crença em prazos e coisas assim. Na verdade, é bom isso, acho que faz parte de amadurecer. Mas simplesmente não consigo acreditar em mais ninguém que me diz que termina de pintar tudo em uma semana ou que vai entregar os eletrodomésticos no dia tal, previamente combinado.

Não é questão de ter ou não ter palavra. Muita gente tem, e tem gente que não tem, faz parte. Mas descobri que preciso me acostumar com todos os outros fatores que entram no meio do caminho: a vida, o trânsito, os atrasos, os imprevistos, as confusões, os enganos, e assim por diante. Tem também tudo isso, e estou percebendo que esperar só a perfeição de todos os outros é irreal. Parece óbvio, mas não é. E perceber é só um passo. Colocar isso em prática é muito, mas muito mais difícil.

Porque a gente conta com os outros. Marca um compromisso e espera que eles estejam lá conosco quando o dia chegar. Mas e se cai uma árvore na saída da garagem e o caminhão de entrega simplesmente não consegue sair? E se a pessoa se confundiu e marcou para o dia seguinte? E se ele simplesmente se esqueceu? Como faz então? Encomenda o sofá e quer que ele esteja lá na sua sala no dia combinado, mas isso vale para tudo: no emprego novo que começa de um jeito meio errado, no voo que é cancelado, até em um restaurante que esquecem de fazer a reserva no aniversário da sua mãe. Acontece, ou como meu pai sempre diz: shit happens.

E aí? Como é que você lida então? Tem toda aquela história da expectativa, mas só de falar isso me revira o estômago, porque se eu não posso contar com uma passagem marcada, uma reserva de um restaurante ou a entrega marcada da minha cozinha, onde é que este mundo vai parar. Então eu espero sim que as coisas funcionem, mas agora, na reta final (mesmo!!!) da minha obra, estou descobrindo que talvez é esperar com flexibilidade. As coisas ainda assim vão acontecer – mas talvez só no dia seguinte.

O preço dos sonhos

Encontrei ontem na rua uma amiga que não via há tempos e começamos a discutir as mudanças nas carreiras das duas. Ela aceitou um emprego que pagava menos do que o anterior, mas com uma jornada fixa e outros benefícios que não se medem em termos financeiros.Eu vim trabalhar em casa e também estou ganhando menos, de uma forma até mais insegura, mas indo atrás do que sempre quis fazer. Foi bacana ver as duas tomando decisões profissionais e medindo vários outros fatores além de grana.

Foi um encontro rápido, mas saí dali pensando no preço dos nossos sonhos. Todo mundo tem o seu, e cada sonho tem o seu preço. Só chega a hora que cada um resolve pagar aquilo para ver o que acontece. Seja receber menos, seja trabalhar muito mais horas por dia para chegar naquele cargo, seja mudar de cidade, seja largar tudo e criar um caminho novo. São todos preços que a gente paga para ir atrás do que a gente ama.

De repente, me ocorreu que na verdade, estamos todos pagando o preço das nossas decisões, o tempo todo. Só que nem todas essas decisões são de fato em prol de um objetivo maior nosso. Quanta gente você não conhece que rala muito em um emprego que detesta, mas que não consegue tomar a decisão de sair? Porque se for para pagar um preço grande, que seja por aquilo que você sempre sonhou.

Quando não precisamos de limites

Que delícia que é estar naquele ritmo incrível, fluindo, numa produção boa mesmo. Estou na contagem regressiva do lançamento do meu novo projeto e nestas fases, não tem jeito. A gente precisa mergulhar e ir com tudo, para estar com tudo pronto para o dia D. Eu amo essa coisa de ter um projeto, uma data, um grande objetivo, para o qual eu posso me centrar e dedicar com todas as forças. Quem não ama estar assim envolvido com o que faz?

Nesses dias, não tem limite de velocidade, não tem limite para o que a gente possa fazer. É só o tempo, com o relógio ticando, os minutos que passam e o tempo que se esgota. Mas quem precisa dormir, comer, fazer qualquer outra coisa, quando a gente tem um objetivo dos bons, não é mesmo? Então desejem-me boa sorte, porque logo mais tudo estará funcionando, no ar, como deve ser.

Silêncio!

E tem dias que tudo que a gente precisa é de um pouco de silêncio, um pouco de paz, um pouco de concentração. Deixar o mundo de fora lá fora e dar um gás aqui dentro. Ligar um som para emudecer todo o resto e trabalhar, trabalhar, produzir, produzir.

(Isso é só para contar que o meu novo projeto profissional está quase ficando pronto. Estou correndo com tudo para poder lançar ele lindo e bacanudo logo mais. Assim que ele for para o ar, trago o link e detalhes aqui!).

Como comprar felicidade

O dinheiro compra sim felicidade, mas descobri que a gente anda gastando errado: essa palestra do TED mostra que o segredo é dar, e não gastar com nós mesmos. É aquela sensação boa de dar um presente para alguém que a gente ama, de fazer uma doação, de ajudar alguém. Não precisa ser algo enorme, o que importa é a ação. Vale a pena assistir!