Sobre o blog: uma reflexão

Quantas vezes você não olhou para um desafio e achou que fosse algo simplesmente impossível? Mas tem outro tipo de enfrentamento que pode ser tão ou até mais complexo quanto: você foi, fez, conseguiu. E o peso de ter de repetir aquilo mais uma vez, ou várias pode ser inacreditável. Às vezes há uma fórmula muito fácil de ser seguida, mas e se não há? Alguém me diz como faz?

Na semana passada, este blog bateu todos os recordes de visitação de uma forma que eu mal soube explicar. Na verdade, isso tudo aqui tem sido muito bacana e especial para mim. Tenho recebido muitas respostas e feedbacks incríveis, de gente que gosta desse canto aqui. Ele começou como um blog falando sobre um pouco de tudo, cinema e tecnologia e fotografia, mas cada vez mais tenho falado aqui sobre… sobre o que mesmo? Às vezes é difícil para mim definir o que está acontecendo aqui. Uma amiga disse que é sobre a vida. Eu talvez prefira dizer que é sobre caminhos e escolhas, sobre inspiração e paixão.

Mas um blog sobre caminhos e escolhas… que tipo de nicho é esse? Não faço ideia, mas cada vez que escrevo um post sobre estes assuntos, sobre paixão e medo e expectativa e escolhas, vejo um tipo de resposta que os outros não têm. Sinto que as pessoas curtem, lêem mais, dão um outro tipo de retorno. É muito mais legal para mim. Quando começou, estava com medo de esse blog virar um depositório da minha análise, mas acho que não é bem assim.

Talvez este post seja mais auto-afirmativo do que qualquer outra coisa. Não é um anúncio formal sobre o que este blog se trata, porque no fundo estas coisas mais se acham do que se declaram. Mas queria mais perguntar se minha impressão está correta, se é disso que vocês gostam de ler por aqui, se há algo que vocês gostariam de encontrar por aqui, alguma ideia ou sugestão? As portas estão abertas, fica a vontade, deixa um comentário ou manda um email, eu vou adorar.

Momento surto: consumismo online

Preciso fazer uma pausa nestes meus posts cabeça e fazer uma confissão neste blog: eu sou uma super consumista online. Não uma Becky Bloom, mas tem meses que chega a dar um medinho. Chega a conta do cartão e me arrependo do momento em que achei que ter um cartão de crédito era uma boa ideia. Não é. Eu que tenho mergulhado pelo meu trabalho novo cada vez mais nos blogs de moda, decoração e lifestyle (leia-se: consumo), cada vez que vejo uma pulseira bacana ou uma bolsa incrível no blog de alguém, meu primeiro impulso é: tenho que ter. Clico no link e coloco logo no carrinho. Aí passo os 10 minutos seguintes em uma batalha mental: preciso disso, não preciso disso, quero muito, tenho um parecido, mas este é novo e diferente, mas não tenho dinheiro, o fim do mês tá logo aí, mas não é assim que a vida funciona, mas dá para parcelar, mas não quero passar dez meses pagando por uma bolsa que não sei se vou usar dez vezes. E assim vai. Muitas vezes eu venço e, feliz, o cartão permanece incólume na carteira. Na maioria das vezes, nem volto a pensar no objeto de desejo da vez. Outras vezes, não consigo. E alguns dias depois lá vem o porteiro do meu prédio tocando o interfone para avisar que chegou mais uma encomenda. Felicidade das felicidades!

Então eu amo ficar fuçando os sites da Farfetch, OQVestir, LAX Store, Coquelux… Isso sem falar dos gringos! Dá quase desespero de querer tudo ao entrar no Net-à-Porter ou na La Garçonne….E tantos outros… Aff! Bom, deu para sentir, né? Completamente maluca. Talvez este post sirva para planejadores e o pessoal de pesquisa em marketing entenderem melhor o comportamento de compras compulsivas online… ou não!!!

Kony e o potencial do ativismo nas redes sociais

A campanha Kony 2012, que eu postei aqui na sexta-feira, já teve mais de 70 milhões de acessos e levantou uma enorme polêmica. Quão revolucionária ela é de fato? É possível combater criminosos de guerra sem sair do sofá? Qual é o potencial do ativismo nas redes sociais?

A campanha foi taxada por muitos de se valer so slacktivism, o tipo de medida em suporte a uma causa que traz uma sensação de bem estar aos seus ativistas, com pouco esforço e zero efeito prático – como assinar petições na internet ou mudar a sua foto no Facebook ou Twitter a favor de uma causa.

Segundo um debate aberto no site do New York Times, muitos experts têm visto a campanha como simplista ou mesmo desonesta. “As mídias sociais definitivamente têm o poder de jogar luz a problemas horríveis – mas existe um lado negativo, se o ‘call to action’ é direcionado para o lado errado ou se este tipo de campanha dá aos jovens a falsa sensação do que é realmente necessário para gerar mudanças?”, questiona o site.

Para TMS Ruge, um empreendedor ugandense, o problema da campanha é que ela vem gerando expectativas altas demais – doe alguns dólares e a ONG irá acabar com este problema neste ano. “O mundo não é tão fácil ou simples de corrigir”, aponta.

No entanto, era melhor não ter feito nada? É inegável que o esforço da campanha e da ONG Invisible Children gerou um reconhecimento global instantâneo do tamanho do problema e da urgência da solução. Ainda assim, não acredito que vai ser com um só vídeo e uma só campanha nas mídias sociais que o problema vai ser solucionado e Joseph Kony, preso e julgado. No entanto, é preciso começar de algum lugar.

Kony 2012: Uma campanha pela justiça

Se você achava que o finado Muammar Kaddafi era um cara muito mau, é melhor rever os seus conceitos. A ONG Invisible Children divulgou há três dias o vídeo “Kony 2012″, que conta um pouco mais sobre Joseph Kony, considerado pelo Tribunal Penal Internacional de Haia como o maior criminoso do mundo (Kaddafi era o número 24). Kony, conforme conta o vídeo, é o líder de uma guerrilha na Uganda que sequestra crianças para formarem seu exército. Meninas são transformadas em escravas sexuais e meninos em soldados, obrigados a matar os seus pais.

O vídeo é impressionante e emocionante, e já foi visto mais de 55 milhões de vezes nesses 3 dias. Ele tem meia hora de duração, mas tem que ver – é inacreditável que este tipo de coisa aconteça no mundo, que exista este tipo de homem no mundo e nós não tenhamos ideia de que isto tudo está se passando. E é justamente este o objetivo da campanha: tornar conhecidos o nome e o rosto de Kony e gerar uma pressão internacional para sua prisão e julgamento.

Pinterest e a inspiração social

Viciei no Pinterest. A nova rede social está bem explicada neste artigo aqui, mas ela serve como uma espécie de quadro de avisos na internet, onde usuários podem colocar (alfinetar) fotos e desenhos e imagens de todos os tipos. E é bem social, dá para comentar e republicar imagens de outros usuários, e deixar tudo bem organizado, pelos tipos de temas que você quiser (receitas, cachorros fofos, casas dos sonhos, objetos de desejo e daí por diante).

Mas o que me pegou no Pinterest não é tanto o postar, mas sim ficar horas surfando e buscando inspiração e tendo ideias a partir dos milhões de imagens que estão lá. É só digitar algo como “inspire” ou “love” ou “fear” na caixa de busca e ficar olhando os resultados, como um scrapbook comunitário. É incrível o que surge lá. Vale a pena conhecer.

Respostas para o seu geek interior

Como faço um frango desfiado perfeito com o meu mixer?

Como divido o teclado do iPad em dois para poder digitar mais fácil só com o dedão?

Como faço para descobrir se sou realmente uma pessoa noturna ou se só realmente odeio acordar cedo?

Tem coisas que só o seu irmão de 14 anos faz por você. No caso, me apresentar o LifeHacker, o site com a resposta para todas essas perguntas e muitas outras. Para todo mundo que tem um lado geek. Divertidíssimo.

Quem influenciou quem

Adele vem de Carole King, Dusty Springfield, Etta James, Roberta Flack, Beth Orton, Everything but the Girl, Lisa Stansfield e Saint Etienne.

Já a Amy Winehouse tem uma lista de influências bem maior, que abrange gente como Mary J. Blige, Billie Holiday, The Specials, Billy Paul, Nina Simone e The Supremes, além dos mesmos Carole King, Dusty Springfield e Etta James.

E se você for olhar, a Etta James, que morreu no fim do ano passado, influenciou da Diana Ross à Janis Joplin e do Rod Stewart aos Rolling Stones.

Tudo isso vem de um site que acabei de descobrir, o Music Bloodline. Uma delícia, dá para passar horas lá brincando de ver quem influenciou quem, esse eu conheço, mas essa banda não. Dá pra descobrir um monte de artistas com base nos que já gostamos.

Etta James

Essa mania de blog

Ao pensar em criar este blog aqui, a primeira coisa que me veio à cabeça foi a montanha de blogs já criados nos últimos muitos anos. O primeiro que criei, no meio da faculdade, era a História do Olho e eu assinava como Lord Auch – tinha acabado de ler o livro do Georges Bataille e estava com toda a questão transgressão na cabeça. Na hora em que lia o livro, transgredia junto com os personagens e chegou então a hora de eu partir para as minhas próprias transgressões.

O blog durou até eu ir estudar em Paris. De lá, criei um novo, para um novo espaço, o La Vie en Rose, e aí virou uma brincadeira. O que era real com o que era ficção com o que era diário e o que era referência. Na hora de voltar para São Paulo, o endereço mudou de novo, para o Paulistanas, e depois, por um tempo, a brincadeira cansou. Logo montei o que acho até hoje o que foi o meu blog mais legal, o Hoje e Ontem, mas olhando agora, durou só uns seis meses. De arrependimento e saudades, criei na sequência o Enviesada, mas não era tão bacana assim e logo a coisa perdeu a graça. Quando fui morar em Singapura, montei o sssing, que era para contar minhas aventuras pela Ásia, mas acabou sendo engolido pela pura falta de tempo.

E agora cá estamos. Confesso que na hora de montar isso aqui, fiquei até envergonhada de contar quantos blogs foram. Mas recebi ontem o email de uma amiga querida, contando que ela também tinha montado inúmeros blogs efêmeros ao longo dos anos. A ideia dela era que estes blogs efêmeros com boas intenções seriam “um fenômeno em si, interessante, uma coisa da vida que está sempre mudando, uma construção de memórias imperfeitas, como sedimentos”.

Fez todo sentido. Ao reler meus blogs para escrever estes post, foi uma viagem no tempo, foi incrível ver tantas épocas diferentes da minha vida ali, online, disponíveis e ao mesmo tempo, meio esquecidas. Talvez até me arrependa de colocar tudo aqui de novo (que vergonha!), mas de repente fez todo sentido.

E isso aqui ficou ainda mais prazeroso.