Hoje Julia Child faria 100 anos – e até o Google comemorou. E não é que ela tem razão?
Hoje Julia Child faria 100 anos – e até o Google comemorou. E não é que ela tem razão?
Acabei de ler um artigo super bacana do New York Times que defende a importância de fazermos pausas durante o trabalho para manter nossa criatividade e produtividade. Pois o certo nem sempre é sentar a bunda na cadeira e trabalhar até que o problema (ou projeto, ou crise, ou lançamento, ou matéria, ou o que você quiser) esteja pronto.
Ok. Que pular a hora do almoço para comer um sanduíche na mesa ou mesmo não tomar nem um cafézinho no meio da tarde podem provocar stress e exaustão a gente já sabia, mas para mim foi novidade a visão do professor da Universidade de Toronto John P. Trougakos de que a concentração é como um músculo – a gente se cansa depois de um longo período concentrado e precisa de um descanso para se recuperar.
Ele recomenda parar de tempos em tempos mesmo – dar uma caminhada ou ler um livro em outra sala – mas quem não sente culpa de parar no meio do trabalho para ter um pouquinho de lazer? Mas, segundo ele, o ponto é esse mesmo. Nós precisamos nos desligar um pouco do trabalho e do escritório para dar aquela recarregada.
No entanto, o break só serve se você está precisando dele. Se tudo flui, as horas passam e você nem sentiu, não tem necessidade de parar. O que nos esgota é justamente nos forçar a continuar quando sentimos que precisamos dar uma paradinha. É só não exagerar – e cair na procrastinação.
O que mais gostei no artigo foi uma frase do Dr. James Levine, da Clínica Mayo: “longas horas não significam um bom trabalho – é mais valioso ter um trabalho altamente eficiente e produtivo“. Parece óbvio, mas não é. Quem nunca se sentiu culpado por ir para casa mais cedo, mesmo tendo realizado tudo o que se pretendia para o dia?
O caso clássico é o da Sheryl Sandberg, COO do Facebook, que revelou recentemente que sai do trabalho todo dia às 17h30. Ela simplesmente construiu a melhor rotina para ela, de forma a casar a produtividade dela com os horários da família. Mas é interessante vê-la falando (clique no link para ver o vídeo, não consegui colocá-lo aqui!) sobre como lidar com a culpa de sair do escritório quando todos os outros estão trabalhando. E como faz, no final? O segredo é conhecer como você funciona, entender o que você precisa para ser produtivo, e se respeitar. E, claro, achar um chefe que tope.
A geração Y e sua relação com o trabalho, pela Box 1824. Alguém mais se identifica?
Hoje fui assistir a palestra do designer de sapatos Jimmy Choo e achei que ia ouvir muito de moda e tendências, mas acabei ouvindo mais de paixão e motivação. Foi super inspiradora a fala dele, um homem que faz sapatos há mais de duas décadas e tem como clientes gente tipo a Rainha da Inglaterra!
Jimmy Choo é budista e falou muito sobre dar e compartilhar e não ser egoísta para uma plateia repleta de estudantes de moda, o que achei super sensato. Com bom humor, ele arrancou suspiros de todas, falando que temos que compartilhar nossa paixão e nossa visão. Que se você é bom em algo, deve continuar fazendo aquilo, por você e pelos outros, e que o reconhecimento vem na hora certa. Ele falou no valor do trabalho duro, de trabalhar das 7 da manhã até 4 da manhã, de ser casado com o trabalho e totalmente entregue aquilo que você ama. O resto vem como consequência.
E que você tem que amar o que você faz. Ele disse que pensa e vive e respira sapatos o dia inteiro, 24 horas por dia, sempre em busca de inspiração. E fiquei pensando em quantos de nós temos este tipo de entrega para aquilo que fazemos. Ele, além de ser designer, é professor em Londres e mentor de alunos. Ou seja, ele dá de volta mesmo. Olhando por este ângulo, a gente não consegue evitar de pensar que o sucesso não vem à toa.
Eu que sou tão na minha, dessa vez deu vontade de tietar, pedir foto abraçado, pois voltei para casa hoje inspirada como há muito não me sentia…
Já sentiu isso? Então você sabe do que eu estou falando. Se não, você não sabe o que está perdendo. De verdade. Porque apesar de ser trabalho, quando a gente ama, é tudo diversão. Mesmo as partes chatas. Você sabe porque está fazendo aquilo. Ter um sentido é o mais importante.
Eu tenho amado todas as partes do meu novo trabalho, estou completamente apaixonada. Amo a pesquisa, adoro todos os assuntos, escrever, então, nem se fala, e tenho até me divertido com toda a parte da diagramação e Photoshop. Fora todas as pessoas que tenho conhecido, os eventos que tenho participado… está sendo apaixonante mesmo.
Tenho trabalhado muito mais do que trabalhava antes, como gerente de marketing de uma empresa bacana. Estou ganhando menos. Mas a satisfação, sério, não se compara. O prazer é outro e encontrei aqui alguns fatores que são fundamentais para mim, tão ou mais importantes que um salário alto: autonomia, paixão, a capacidade de trabalhar no meu próprio esquema, horários flexíveis… Enfim. Está mais do que valendo a pena. E se trabalho muito mais, a verdade é que nem sinto: eu amo o que faço.
Então na hora de encontrar aquilo que faz sentido para você, é preciso botar na balança suas prioridades. Elas são suas e de mais ninguém. Se você valoriza autonomia mais do que tudo, vai atrás. Se é de reconhecimento que você precisa, então foque nisso. E assim por diante. E comece a buscar – se você não começar, não vai ter como encontrar.
Já falei disso por aqui. Não é só porque somos bons em algo que devemos fazer aquilo. Posso ser ótima em assessoria de imprensa, por exemplo, mas não é isso que quero fazer da minha vida. Começar a fazer algo por paixão é o primeiro passo. Demora para ficar bom – e há grandes chances que você não seja um Proust. Mas a cada dia vai ficando melhor. E se não for um sucesso, paciência. Mas você faz o que faz por si mesmo ou pelos outros? Qual é a sua motivação? É paixão ou aprovação? Porque se você estiver em busca de agradar os outros, aí nada do que eu disse aqui vale. Mas se não, se for para ir atrás do que você sempre sonho, preocupe-se primeiro com o que é mais importante…
Eu falei e falei aqui e prometi que quando o meu novo projeto profissional estivesse pronto, ia trazer a novidade aqui, então aí vai. Depois de um mês trabalhando em todos os detalhes e montando o conteúdo, hoje foi ao ar o meu novo blog, o SD+ do SDOnline, o ecommerce da Fernanda Marques de móveis e objetos de decoração! Então é uma proposta completamente diferente do que acontece aqui: arquitetura, design, moda e decoração, uma diversão pura para quem curte estes assuntos.
É aquela coisa, é como um parto preparar um blog assim para ir ao ar, com toda a idealização, as questões tecnológicas, a edição de conteúdo e tudo o mais. Mas agora que está pronto é que a coisa realmente começa, a aventura, o desafio de trazer posts novos e interessantes todos os dias. Estou amando.
Mas uma coisa eu prometo a vocês: este blog aqui não vai ficar esquecido. Amo fazer um blog pessoal, amo o retorno que tenho de vocês, amo poder ter esse espaço para poder falar de tudo que me motiva e que me apaixona por aqui.
Tenho pensado muito nas nossas próprias exigências, o quanto o nosso perfeccionismo pode acabar atrapalhando nossos projetos de vida. É a velha história de que o ótimo é inimigo do bom. Se formos sempre esperar que tudo esteja 100%, pronto e perfeito para aí sim poder começar a funcionar, talvez a coisa não dê muito certo.
E isso vale para tudo. No trabalho, quando temos um projeto que amamos acima de tudo e não queremos nada para ele menos que a perfeição – pode ter certeza, ele vai demorar mais para sair, você vai infernizar a vida de todo mundo, tudo em nome de um nível de exigência tal que na verdade, pode não ser tão necessário assim. Na minha reforma idem, esta reta final (juro que está acabando!), a gente tende muito a olhar para o que não está bom, no que poderia estar melhor, tanto que acaba esquecendo o que já está feito, o que está bom e o que simplesmente é uma viagem de perfeccionismo que não faz sentido ir atrás.
A imagem que postei acima é quase um ditado que muitos designers usam para falar do trabalho deles, mas acho que se aplica para muitas outras histórias. Não dá para ser bom, rápido e barato, tudo ao mesmo tempo. Você sempre tem que escolher dois e sempre acaba perdendo de algum dos lados. O projeto vai acabar saindo feio, caro, ou devagar, dependendo do que você escolher.
E se é assim que funciona, por que então a gente continua batendo a cabeça na parede e exigindo dos outros e de nós mesmos o impossível? Se você quer que saia lindo, se dê mais tempo. Se você não pode gastar com aquilo, vai ter que ter paciência redobrada para encontrar algo que se encaixe no seu nível de exigência. E se você quer que saia rápido, bom, depois não me culpe que eu não te avisei.
Encontrei ontem na rua uma amiga que não via há tempos e começamos a discutir as mudanças nas carreiras das duas. Ela aceitou um emprego que pagava menos do que o anterior, mas com uma jornada fixa e outros benefícios que não se medem em termos financeiros.Eu vim trabalhar em casa e também estou ganhando menos, de uma forma até mais insegura, mas indo atrás do que sempre quis fazer. Foi bacana ver as duas tomando decisões profissionais e medindo vários outros fatores além de grana.
Foi um encontro rápido, mas saí dali pensando no preço dos nossos sonhos. Todo mundo tem o seu, e cada sonho tem o seu preço. Só chega a hora que cada um resolve pagar aquilo para ver o que acontece. Seja receber menos, seja trabalhar muito mais horas por dia para chegar naquele cargo, seja mudar de cidade, seja largar tudo e criar um caminho novo. São todos preços que a gente paga para ir atrás do que a gente ama.
De repente, me ocorreu que na verdade, estamos todos pagando o preço das nossas decisões, o tempo todo. Só que nem todas essas decisões são de fato em prol de um objetivo maior nosso. Quanta gente você não conhece que rala muito em um emprego que detesta, mas que não consegue tomar a decisão de sair? Porque se for para pagar um preço grande, que seja por aquilo que você sempre sonhou.