O fim da adolescência e o carrinho de supermercado

Achava que era só comigo, mas pelo visto não. Não consigo evitar de ficar olhando o que as pessoas colocam nos seus carrinhos de supermercado. Quanto maior a fila do caixa, mais tempo tenho para ficar imaginando como é a vida daquela pessoa que pegou 5 pacotes de Activia (eu não tomo iogurte por nada), bifinho de filé mignon, salada pré-lavada, grão de bico e um monte de chocolate. Só um exemplo. Ou então de como vai ser o jantar do cara que só comprou cerveja, salsicha, pão francês e mostarda – provavelmente, muito mais gostoso que o meu. A mulher que tem o carrinho lotado de frutas e verduras e está no celular coordenando a lição de casa dos filhos. E assim vai.

Na sexta, eu estava fazendo as compras para o fim de semana, fui passar dois dias na praia só eu e meu marido. No meu carrinho, só as coisas que a gente gosta, deliciosas, para um fim de semana a dois, com direito a aperitivos e champagne, saladinhas e frios, frutas e chocolate. Quando estava colocando as coisas na esteira, a senhora da frente veio comentar que eu ia fazer um jantar muito gostoso. Eu disse que era um fim de semana, que a gente precisa curtir o o marido. Ela adorou. Quando ela já estava para sair e eu estava pagando a minha conta, ela veio falar comigo. Disse que não resistiu, porque se fosse ela, ela teria feito exatamente a mesma compra para o fim de semana. Os mesmos itens. E que ela era casada há 40 anos e que a gente tinha que ser apaixonado assim sempre, se não, não fazia sentido.

Em resumo, ela me deu parabéns pelo meu carrinho de supermercado! Quando ela foi embora, eu fiquei ali, rindo sozinha, achando que finalmente eu tinha acertado. Meu carrinho já não tinha mais só um monte de besteiras, mas tinha um monte de coisas deliciosas e saudáveis, tudo bem equilibrado. Fiquei pensando que minha mãe iria ficar orgulhosa. Saí do supermercado, entrei no carro e liguei para ela para contar a história. A sensação era de finalmente deixar a adolescência para trás.

Ah! O fim de semana foi uma delícia. E não sobrou uma migalha daquele carrinho para contar história…

Madrugando no fim de semana

Um dos maiores mistérios da vida para mim é por que sofremos tanto para acordar cedo durante a semana, enquanto no fim de semana levantamos cedo quando tudo o que queremos é dormir só mais um pouquinho. Nunca vou entender.

Talvez tenhamos um nível de expectativa de repouso no fim de semana que acabe com todas as chances de descansarmos de fato. Talvez simplesmente não tenhamos tanto sono assim. Talvez nosso corpo se acostume com um ritmo e não consiga mais sair dele como quando éramos adolescentes e conseguíamos dormir até 3h da tarde (eu dormia, pelo menos).

Não tenho uma conclusão. Só sei que podia ter dormido hoje mais algumas horinhas sem prejuízo nenhum…