Dos perigos de se comparar

Tenho pensado muito sobre a questão da comparação. A gente se compara muito, o tempo todo. Outros blogs, gente que faz igualzinho a você, gente que faz completamente diferente e está se dando super bem, o peso do sucesso alheio. E nessas de se comparar tanto, acabamos esquecendo de quem somos. Só conseguimos ver o que não está, o que não somos, o que não conseguimos, o que não fizemos.

A comparação traz a inveja e a inveja traz o esquecimento – do que fazemos e fizemos, de quem somos e dos nossos valores, e por um instante dá vontade de mudar tudo, só para ser igual a fulano ou sicrano, ter aquele emprego ou aquela casa.

Não adianta nada. Olhar para o lado e ter uma ideia clara do que se passa no mundo, na vida dos outros, é essencial, mas não dá para deixar que isso vire a sua direção. O seu foco é só seu e se você não acredita no seu caminho, ninguém mais vai acreditar.

Enjoy the ride: alguns conselhos de Neil Gaiman

Quando assisti este vídeo, tive que postar correndo aqui no blog. É o discurso do Neil Gaiman em uma formatura, tão inspirador quanto aquele famoso do Steve Jobs.

Me pegou em cheio, sempre com questões com as quais eu lido, e imagino que vocês que acompanham o blog também. Principalmente de como achar e construir o seu caminho.

Segundo ele, quando estamos começando por um caminho novo, não sabemos nada. Você não conhece as regras e é melhor assim, pois é só desse jeito que você não sabe o que é possível e o que é impossível. E se você sabe o que quer fazer, o que tem que fazer, então vá lá e faça.

Ando refletindo muito sobre o imediatismo, de querermos que tudo aconteça na hora em que começamos a tentar. Mas a gente precisa aprender a lidar com o fracasso, com todos os nãos que aparecem no meio do caminho, e aprender a continuar no caminho apesar de todos eles.

Ele fala também de fazer aquilo que nos dá prazer, e não pelo dinheiro. Fazer as coisas que te excitam e que te fazem querer ver elas acontecerem. Fazer algo sair do papel e passar a existir, seja um livro, um blog ou um projeto no escritório. Essas a gente nunca se arrepende de fazer, de investir tempo, de dormir menos.

Erre. Isso significa que você está tentando. Faça o seu melhor. Make good art. E faça de um jeito que só você sabe fazer. Não adianta copiar. O bacana é o que é único, só seu.

E aproveite. Não adianta se preocupar tanto com o que está por vir. O caminho pode ser delicioso, se você souber curtir. Enjoy the ride.

Para quem quiser, a Juliana do blog Trapeixe fez uma tradução da transcrição do vídeo para o português. Fica a dica, clica aqui para ver.

Sobre paixão, sucesso e fracasso

Já falei disso por aqui. Não é só porque somos bons em algo que devemos fazer aquilo. Posso ser ótima em assessoria de imprensa, por exemplo, mas não é isso que quero fazer da minha vida. Começar a fazer algo por paixão é o primeiro passo. Demora para ficar bom – e há grandes chances que você não seja um Proust. Mas a cada dia vai ficando melhor. E se não for um sucesso, paciência. Mas você faz o que faz por si mesmo ou pelos outros? Qual é a sua motivação? É paixão ou aprovação? Porque se você estiver em busca de agradar os outros, aí nada do que eu disse aqui vale. Mas se não, se for para ir atrás do que você sempre sonho, preocupe-se primeiro com o que é mais importante…

Girls: um Sex and the City pé no chão

Como prometi, queria escrever um pouco sobre um seriado novo que está dando o que falar lá fora. Ouvi primeiro falar de Girls nos blogs de moda americano, onde ele tem sido comparado a Sex and the City. A própria referência às quatro amigas mais famosas de NY está logo ali no primeiro episódio. Mas quando li este artigo incrível no Jezebel, ficou claro que Girls é algo diferente: Sex and the City tratava dos desenlaces amorosos em um clima de muito glamour e compras de sapatos, sem se preocupar muito com o cartão de crédito. Em Girls, a história é outra, muito mais pé no chão (e contemporânea): são fracassos amorosos e fracassos econômicos. Afinal, quantas meninas (ou meninos!) de vinte e poucos (ou tantos) anos você conhece que se sustentam sozinhas, sem a ajuda dos pais?

Fui correndo assistir a série e amei. Ácida, divertida, boas referências e grandes discussões, tudo ali, em meia hora por semana. Não vou ficar repetindo o artigo de Jezebel (mas vou insistir que vale a pena ler!), mas só para situar: a série começa com um jantar de Hannah com seus pais, que resolvem lhe anunciar ali que estão cortando a sua mesada. Ela tem 24 anos, está formada há dois e trabalha (voluntariamente, diga-se) em uma editora. A cena é excelente e te coloca para pensar no que ela vai fazer, no que você faria, em como lidar.

Não vou contar mais, porque vale muito a pena assistir. Ah, a parte mais incrível. Hannah, a atriz principal, é Lena Dunham, criadora e roteirista da série. E tem 25 anos. Ela escreveu tudo aquilo com base nas questões que ela vive com seus amigos. Acho que é melhor dizer viveu, né? Porque a série só teve um episódio no ar e já deu o que falar por aí. Corre para assistir!

O medo do fracasso e o impossível possível

O que você faria se soubesse que não iria fracassar? Montaria uma empresa, escreveria um livro, inventaria algo? No TED de Regina Dugan, diretora do departamento de inovação do Departamento de Defesa dos EUA, ela afirma que quando não temos mais medo do fracasso, o impossível se torna possível. A apresentação dela é incrível, especialmente para quem gosta de tecnologia e aviação, com aviões hipersônicos voando 2o vezes acima da velocidade da luz e construídos nos moldes de um beija-flor (!!!). Mas ela é sobretudo provocativa, de nos fazer pensar em como o medo do fracasso nos impede de realizar tanto, de tentar. Se tudo tem um começo, via de regra ele está cheio de erros e fracassos, até acharmos o caminho certo. No fundo, é uma grande metáfora de que sem a tentativa, não vem nem o erro, nem o acerto.