
Tem histórias que a gente ouve e não tem como não se identificar. As proporções normalmente são diferentes, mas ainda assim tem algo em certas histórias que nos toca a alma. Eu estava lendo a Vogue americana de abril quando tropecei em um artigo que me chamou a atenção primeiro pelo título: “Can You Conquer Your Biggest Fears?” (fiquei tristíssima, mas não tem uma versão online para linkar aqui…). Parece meio auto-ajuda, mas como esta vem sendo uma questão que eu tenho pensado, discutido e analisado (tanto na análise mesmo quanto aqui neste blog!), fiquei interessada. E quando comecei a ler, percebi que me relacionei com o artigo de uma forma super pessoal.
A autora, Plum Skyes, na sua segunda gravidez, começou a ter ataques de vertigem tão fortes que não conseguia sair da cama. Ela perdeu completamente o equilíbrio e quando teve o bebê não tinha condições de amamentá-lo. O diagnóstico foi feito somente após o parto, ela desenvolveu um tipo raro de enxaqueca, sem dor de cabeça, mas com vertigem constante. Ela passou a tomar remédios fortes, mas o medo de ter ataques começou a impedí-la de fazer qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo – dirigir, cozinhar, trabalhar, cuidar dos filhos sozinha. Um dos médicos então recomendou a ela que tomasse um remédio para ansiedade, mas ela não queria aumentar o coquetel e resolveu ir para um “retiro de ansiedade” (esse tem link sim, clica aqui). Meio cética, ela foi ainda assim, e lá foi aos poucos descobrindo algumas formas de lidar com a ansiedade.
Agora acho que é hora de umas explicações. Eu também tenho enxaqueca – longe de ser uma enxaqueca tão forte e debilitante como a da autora do artigo, mas é algo que já me impediu de fazer muitas coisas, me deu alguns ataques de medo e ansiedade, ajudou a determinar de certa forma minha vida pessoal e profissional e tem sido uma das minhas maiores lutas nos últimos anos. Tenho relutado em escrever sobre isso por aqui, no blog, por não saber se seria pessoal demais, mas quando li o artigo, achei que seria uma boa hora. Porque acho que percebi que o que a autora descobriu no retiro dela, eu descobri da minha forma, ao longo dos últimos dois anos.
Por exemplo, a explicação que ela ouviu dos psicólogos e psicoterapeutas no retiro foi a mesma que eu ouvi do meu neurologista: a ansiedade crônica é a manifestação de sintomas físicos e mentais causados por tensões que pedem respostas fight-or-flight. Como um animal, ou você se prepara para lutar contra aquilo que te causa tensão, ou a fugir daquela situação. Mas na vida que vivemos, normalmente não temos condição nem de lutar, nem de fugir. Mas estes instintos trazem uma injeção de adrenalina, e é necessário um esforço para suprimir tudo isso e aprender a sorrir e agradecer quando seu chefe sugeriu que você passe o fim de semana trabalhando no projeto alheio, por exemplo. O problema é quando começamos a ter esse tipo de reação o tempo inteiro – nos tornamos pessoas ansiosas. A enxaqueca é uma doença neurológica, mas no meu caso, o stress e a ansiedade sempre foram o trigger.
A resposta que o meu neuro me deu foi ser produtiva – exatamente a mesma resposta que deram à autora do artigo. Já até escrevi sobre isso aqui. O medo de ter crises de enxaqueca, no meu caso, me deixou, por um tempo, com medo de trabalhar. E se eu tivesse uma crise novamente? Segundo o artigo da Vogue, funciona exatamente ao contrário: pessoas ansiosas normalmente são criativas e se essa criatividade não é utilizada, é isso que gera mais ansiedade. A solução: voltar a ser produtiva. É a história do estudo que ligou concentração e felicidade: quanto mais concentrada eu estou, melhor, mais produtiva eu sou, e menos crises de enxaqueca eu tenho.
Esse post ficou gigante e super pessoal. Espero que gostem! Em tempo: a autora do artigo ficou bem, voltou a escrever para a Vogue e tudo ficou bem. E eu também! :)







