Girls: um Sex and the City pé no chão

Como prometi, queria escrever um pouco sobre um seriado novo que está dando o que falar lá fora. Ouvi primeiro falar de Girls nos blogs de moda americano, onde ele tem sido comparado a Sex and the City. A própria referência às quatro amigas mais famosas de NY está logo ali no primeiro episódio. Mas quando li este artigo incrível no Jezebel, ficou claro que Girls é algo diferente: Sex and the City tratava dos desenlaces amorosos em um clima de muito glamour e compras de sapatos, sem se preocupar muito com o cartão de crédito. Em Girls, a história é outra, muito mais pé no chão (e contemporânea): são fracassos amorosos e fracassos econômicos. Afinal, quantas meninas (ou meninos!) de vinte e poucos (ou tantos) anos você conhece que se sustentam sozinhas, sem a ajuda dos pais?

Fui correndo assistir a série e amei. Ácida, divertida, boas referências e grandes discussões, tudo ali, em meia hora por semana. Não vou ficar repetindo o artigo de Jezebel (mas vou insistir que vale a pena ler!), mas só para situar: a série começa com um jantar de Hannah com seus pais, que resolvem lhe anunciar ali que estão cortando a sua mesada. Ela tem 24 anos, está formada há dois e trabalha (voluntariamente, diga-se) em uma editora. A cena é excelente e te coloca para pensar no que ela vai fazer, no que você faria, em como lidar.

Não vou contar mais, porque vale muito a pena assistir. Ah, a parte mais incrível. Hannah, a atriz principal, é Lena Dunham, criadora e roteirista da série. E tem 25 anos. Ela escreveu tudo aquilo com base nas questões que ela vive com seus amigos. Acho que é melhor dizer viveu, né? Porque a série só teve um episódio no ar e já deu o que falar por aí. Corre para assistir!

Homeland e uma trilha sonora perfeita

Quem deu a dica foi a Gi Gueiros no Minas de Ouro. Eu viciei de cara, e assisti a primeira temporada de Homeland em menos de uma semana. É daquelas séries de TV que não dá para largar, bem construídas, que você se envolve com os personagens, em uma trama psicológica das boas. Nick Brody é um soldado americano que foi sequestrado no Iraque e passou oito anos sumido, dado como morto. Ele é resgatado, mas Carrie Mathison, interpretada pela Claire Danes, agente da CIA suspeita que ele esteja trabalhando para terroristas. Ela é bipolar, toma remédios escondida da CIA, e sua condição super instável faz com que a gente suspeite de toda a situação o tempo inteiro. A série é incrível!

Mas depois que terminou a primeira temporada e ficou só aquela ansiedade para voltar a série, em setembro, ficou também um desejo constante de ouvir jazz. Carrie, além de ser super alucinada e workaholic, é apaixonada por jazz, que vira a trilha sonora da série, bem pontuada, só em momentos-chave. Miles Davis, Thelonious Monk e Tomasz Stanko Quartet, que eu não conhecia e fiquei fã. Acabou que o jazz foi dominando aqui em casa, aos pouquinhos. Uma delícia.

O fim da TV a cabo

Eu não assisto mais TV. Vejo programas de TV. Não tenho a menor paciência de me sujeitar à programação e horários da NET. Ainda mantinha o hábito de acompanhar o noticiário da Globo News, mas mudei meus hábitos, acabo vendo tudo pela internet. Agora com a Apple TV então, a TV a cabo deixou de fazer sentido na minha vida. Estamos para mudar de apartamento e na casa nova, decidimos que não vamos mais ter TV a cabo.

Nesse espírito, assisto apenas aos filmes e seriados que quero e acompanho. Acabo virando muito mais fiel do que costumo ver e não perco tempo com programas que nem gosto tanto assim. Vejo muita coisa também no computador, no YouTube, no TED, e assim por diante.

O problema está quando uma série que eu amo e começo a assistir religiosamente é cancelada sem maiores explicações, tipo Pan Am. Eu estava amando a série, que traz a história dos tripulantes da companhia aérea nos anos 1960, no maior clima Mad Men, quando descobri que o fim da temporada era também o fim da série. Maior frustração.

Mad Men é outro exemplo. A série – que é incríiiivel – quase foi cancelada, ficou no limbo por um ano e meio e agora está voltando. Estou louca para saber do que vai acontecer com Don Draper e sua agência. Dia 25 de março volta. Estou na contagem….

Mas a sensação que tenho é que os meios vão ficando cada vez mais fluidos e que a produção de conteúdo de qualidade vai importar cada vez mais, muito mais do que canais e grades de programação.